Ponta a ponta e Magneto
Todos os primeiros telefones foram fabricados por Thomas Watson, parceiro de Graham Bell, "com suas próprias mãos", como ele mesmo dizia.
De 1877 a 80, Watson registrou 60 patentes referentes ao aperfeiçoamento do telefone e à invenção de alguns acessórios, como os sistemas de campainha e o interruptor de "gancho", para ligar e desligar o telefone automaticamente.
Os primeiros telefones, comercializados em 1877, pesavam cerca de 5 quilos, pareciam-se com caixas e ficavam apoiados sobre uma mesa ou outro móvel. Instalados em lugares distantes - sistema conhecido como ponta a ponta - cada um deles possuía um dispositivo que funcionava nos dois sentidos: servia tanto para ouvir quanto para falar. Ou seja, enquanto uma pessoa falava em um dos aparelhos, a outra tinha que encostar o ouvido no outro, trocando, depois, de posição.
Os primeiros telefones comercializados, em 1877, eram caixas dotadas de um único dispositivo que servia tanto para falar quanto para escutar.
Como esses telefones funcionavam com energia eletromagnética, não precisavam de pilhas ou qualquer outro tipo de energia externa, permanecendo ligados todo o tempo, já que não havia nenhum tipo de interruptor.
Outra coisa que não existia inicialmente eram as campainhas. Imagine como uma pessoa faria para avisar que queria falar com a outra? A única opção, até aquele momento, era ficar gritando, na esperança de que alguém passasse próximo ao outro aparelho e ouvisse os berros.
Pouco tempo depois, provocado pelo problema, Williams descobriu que, ao bater com um lápis no diafragma do aparelho transmissor, produzia ruídos fortes no receptor. Watson achou o método bastante interessante, porém percebeu que poderia danificar o aparelho. Inspirado nessa ideia, desenvolveu um sistema parecido, onde um botão, fora da caixa do aparelho, quando pressionado com o dedo, acionava um pequeno martelo que batia em um ponto do diafragma, sem danificá-lo, garantindo o bom funcionamento do aparelho.
Telefone com o “batedor” desenvolvido por Watson (esquerda) e detalhe interno do dispositivo (direita): um botão que aciona um pequeno martelo que bate na membrana.
O "batedor" de Watson era, certamente, melhor que os gritos ou as batidas diretas no diafragma, porém ainda assim tinha um problema: não conseguia chamar a atenção das pessoas que estivessem distantes do aparelho. Por isso, Watson resolveu usar outro tipo de dispositivo - uma peça do telégrafo harmônico de Bell - lembra-se dele? O telégrafo possuía eletroímãs que faziam as lâminas vibrarem, o que gerava um zumbido. Usando um "zumbidor" ou - como Watson costumava chamar - um buzzer, ligado a uma pilha, seria possível produzir um ruído que chamasse a atenção de todos. Apesar de terem sido fabricados alguns aparelhos de telefone com o "zumbidor", ele não agradou muito; o som era fraco e bastante desagradável; de acordo com o próprio Watson, parecia com o ruído de um objeto duro, sendo passado por um ralador metálico.
O “zumbidor” de Watson.
Depois de todo esse processo, Watson desenvolveu um método de aviso bastante eficiente, usando a campainha elétrica. As campainhas, que já eram bem conhecidas e utilizadas em casas e comércios, com as quais Williams já trabalhava havia muitos anos, funcionavam da seguinte forma: um eletroímã movia um pequeno martelo metálico para um lado e para o outro, batendo em duas campainhas metálicas e produzindo um som muito forte.
Mas Watson precisou resolver dois problemas. O primeiro era fornecer uma corrente elétrica suficientemente forte para fazer a campainha funcionar. O segundo era utilizar o mesmo fio telefônico tanto para acionar a campainha quanto para transmitir a voz.
Muitos tubos de comunicação que eram utilizados na época da descoberta do telefone (como este) possuíam pequenos sinos, eram tocados puxando um cordão. Em alguns casos, eram utilizadas campainhas elétricas
Campainha utilizada por Watson nos telefones.
Saiba mais sobre o funcionamento das campainhas-magneto
Telefone de 1878, com campainha, magneto (manivela no centro da caixa) e interruptor manual (na parte de baixo da caixa).
Para acionar a campainha usava-se um tipo de dínamo, popularmente chamado de "magneto", que produzia uma corrente elétrica bastante forte, fazendo com que as campainhas soassem. O único problema era que, se essa mesma corrente atingisse o telefone, poderia danificá-lo, já que este empregava correntes extremamente fracas. Assim, Watson desenvolveu um tipo de interruptor, ou comutador, que era colocado na caixa dos aparelhos e tinha duas posições: na primeira, ligava o fio telefônico à campainha e ao magneto; na segunda, ao aparelho de telefone propriamente dito. As pessoas deveriam deixá-lo sempre na primeira posição. Assim, quando a outra pessoa girasse a manivela do magneto, enviaria a corrente elétrica pelo fio, que seria recebida pela campainha e não pelo telefone. Depois disso, a pessoa que estivesse telefonando deveria mudar o interruptor para a segunda posição. Após ouvir a campainha, a pessoa que estivesse do outro lado da linha deveria fazer da mesma forma para que pudessem conversar entre si. Ao terminar a conversa, ambas precisariam retornar o interruptor à primeira posição, permitindo que a campainha pudesse voltar a funcionar.
O uso do interruptor confundia as pessoas, e elas raramente faziam as mudanças necessárias. Assim, era muito comum que uma pessoa tentasse chamar a outra e não conseguisse, pois a campainha estava desligada.
Diante das dificuldades apresentadas pelo uso desse sistema, Watson introduziu mais uma modificação: um dispositivo que mudava automaticamente a conexão da linha entre o telefone e a campainha-magneto. O resultado, extremamente simples, foi a invenção do "gancho" do telefone, usado até hoje nos telefones com fio.
A parte do aparelho usada para falar e escutar ficava pendurada em um gancho que era o interruptor. Ou seja, quando o telefone estava no gancho, o sistema ligava a linha telefônica à campainha; quando estava fora dele, o sistema desligava a campainha e conectava a linha telefônica ao telefone propriamente dito. Isso tornou tudo mais simples, uma vez que a única coisa que as pessoas precisavam se lembrar era de colocar o telefone no gancho.
Alterações de forma: o telefone em forma de carimbo
Ao mesmo tempo em que todas essas mudanças aconteciam, a forma dos telefones também vinha se modificando. Isso aconteceu devido ao incômodo que as pessoas sentiam por precisar colocar a boca e a orelha, sucessivamente, próximas ao grande objeto colocado sobre um móvel. Por isso, Watson e Bell preocuparam-se em colocar a estrutura do telefone dentro de um pequeno e leve objeto, conectado à caixa por um fio, para que as pessoas pudessem segurá-lo na mão. Criaram então, um objeto de madeira em um formato bem semelhante a um carimbo ou sinete, usados na época, contendo o eletroímã.
O telefone tipo “carimbo”, introduzido no final de 1877.
O telefone "carimbo" tinha um corpo de madeira ou de borracha dura. Dentro dele havia um ímã comprido (M), cuja ponta ficava próxima a uma placa de ferro (P), que vibrava com a voz quando se falava no bocal (B). Em torno da ponta do ímã, havia uma bobina (S), à qual estavam ligados os fios (F) do telefone.
Como esses aparelhos não exigiam nenhuma fonte de eletricidade, bastava ligar dois deles por meio de fios metálicos e era possível falar e ouvir à vontade.
Telefonhes tipo carimbo, ligados entre si por um fio.
Outra fonte de grandes confusões, inicialmente, era o uso de um único dispositivo para falar e escutar, o que gerou muitas reclamações por parte do público, dando origem a outra inovação - o uso de dois dispositivos, um para falar e o outro para escutar. Essa mudança trouxe facilidades para que as pessoas mantivessem uma conversa ao telefone, porém tanto fazia qual dos dispositivos seria usado para falar ou ouvir, já que ambos tinham exatamente a mesma constituição. Sobre isso, houve apenas um problema: a pessoa que falava no aparelho transmissor ouvia o som de sua própria voz, pois tudo estava ligado aos mesmos fios.
Propaganda de 1878, mostrando o modo de utilizar o telefone.
Outro problema eram os fios do novo aparelho de mão, que sempre se quebravam com o movimento. A questão é que, nessa época, não existiam fios elétricos adequados, o que foi resolvido usando-se fios de cobre feitos com ligas adequadas.
Os modelos de telefone mais sofisticados de 1878 foram apelidados de “caixões de Willians”. Tinham dois dispositivos eletromagnéticos tipo carimbo que podiam ser utilizados para falar e para escutar, e um sistema de campainha com magneto.a manivela ficava na parte da frente da caixa.
Telefone tipo carimbo, com caixa contendo uma campainha com botão. Esse sistema utilizava uma bateria, em vez de magneto.
Porém, para que as pessoas pudessem ficar com uma das mãos livres, foi criada uma segunda alternativa, colocando-se um dispositivo fixo na caixa do aparelho para falar e um fone de mão tipo carimbo que pudesse ser movido para ouvir. Com isso, os telefones adquiriram uma estrutura semelhante à de alguns tubos de comunicação da época.
Modelo de telefone chamado “viaduct”, de 1879, dotado de um transmissor na própria caiza, um receptor separado tipo carimbo, e campainha acionada por magneto (a manivela fica do lado direito do aparelho).
Telefone eletromagnético de 1880, com transmissor fixo e receptor de mão (tipo carimbo).
Como usar o telefone
A reação inicial ao telefone era sempre de espanto e, às vezes de desconfiança.
Inicialmente, o telefone era visto pelas pessoas como um invento inacreditável, chegando a ser descrito como "milagroso". Todos se espantavam ao ouvir, pela primeira vez, a voz saindo do pequeno aparelho de madeira. Sem compreender como funcionava, muitos acreditavam que tudo não passava de um truque e reagiam ao telefone com espanto e desconfiança.
Com o passar do tempo o telefone se difundiu e, com isso, foi possível observar que as pessoas se inibiam diante do aparelho, sentindo-se estranhas, ou mesmo ridículas, por conversar com um objeto. Era comum que ficassem totalmente bloqueadas, incapazes de falar. Aos poucos essa dificuldade foi sendo superada, mas isso serviu para perceber que era preciso ensinar as pessoas a manipular o aparelho e a falar corretamente. Por isso, depois de algum tempo, passou-se a colar nos telefones instruções sobre como deviam ser usados. Além disso, havia propagandas e até cartões postais mostrando como falar.
Telefone com instruções para uso. O aviso diz: “1. Mantenha o telefone de mão no seu lugar até que as chamadas sejam respondidas. 2. Chame e responda apertando o botão C, e girando a manivela. 3. Quando a chamada é respondida, retire os telefones, e você estará pronto para conversar. 4. Para abrir a linha para uso, gire o interruptor para a direita. Feche-o durante tempestades, e quando não precisar usar, girando o interruptor para a esquerda”.
Ilustração do final do século XIX mostrando o modo correto (esquerda) e errado (direita) de falar ao telefone.
Como usar o telefone
Em 1878, dois anos após a invenção do telefone, Bell escreveu a um grupo de investidores ingleses narrando as perspectivas do aparelho:
"Atualmente possuímos uma rede perfeita de encanamentos de gás e de água em nossas maiores cidades. Temos canos principais dispostos sob as ruas comunicando-se por canos laterais com as várias moradias, permitindo aos membros retirarem seus suprimentos de gás e água de uma fonte comum."
"De um modo semelhante, é concebível que sejam colocados cabos com fios telefônicos sob o solo ou suspensos acima de nossas cabeças, comunicando-se por fios laterais com moradias privadas, escritórios, casas, fábricas etc., unindo-os através do cabo principal com um escritório central, onde os fios poderiam ser conectados da forma desejada, estabelecendo comunicação direta entre dois pontos quaisquer da cidade. Um plano como esse, embora seja impraticável no momento presente, será, acredito firmemente, o resultado da introdução do telefone para o público. Não apenas isso, mas eu acredito que no futuro os fios unirão os escritórios centrais de companhias telefônicas em diferentes cidades, e uma pessoa em uma parte do país poderá se comunicar, com palavras de sua boca, com um outro em um lugar distante." (G. Bell)
Lendo as palavras do próprio Bell, percebemos que sua visão sobre como a telefonia seria no futuro era bastante clara. No entanto, tratava-se de uma previsão um pouco distante, já que os recursos técnicos para implantar um sistema desse tipo na época eram insuficientes.
O próprio Bell sugeriu, também em 1878, que o uso dos telefones como comunicadores de curta distância - substituindo os conhecidos tubos de comunicação - seria uma boa estratégia para que as pessoas fossem se acostumando com o aparelho, tendo em vista o uso que fariam deles futuramente. Por isso, quando o grupo de Bell publicou um anúncio divulgando os telefones, não se falava em sua instalação para comunicação entre as casas:
"Esses instrumentos são de grande valor prático. Podem ser utilizados para qualquer finalidade, em qualquer posição, sem treino técnico, sempre que for necessária a comunicação ou conversa a distância, como entre os chefes e os empregados em casas comerciais; entre bancos centrais e filiais; em operações de mineração, entre o escritório do supervisor e os empregados na mina; em grandes hotéis ou mansões; em fábricas de todo tipo, entre a manufatura e sua fábrica e entre o superintendente e seus subordinados; de fato, pode ser considerado como um tubo de comunicação comum, com todas as vantagens de uma comunicação telegráfica."
Bibliografia
MARTINS, ROBERTO. A Fundamentação da Telefonia através da História. Parte 1: Da Invenção ao Início do Século XX. Pesquisa realizada para a Fundação Telefônica, 2002.
Automático
Pouco tempo após a invenção do telefone e das centrais de comutação, surgiu a ideia de que a ligação entre as várias linhas telefônicas poderia ser feita automaticamente, sem a ajuda de operadores. Com uma central telefônica automática, a própria pessoa que quer telefonar envia sinais elétricos especiais de seu aparelho para certos instrumentos na central telefônica, e esses instrumentos ligam a pessoa com o telefone desejado. Em 1879, os irmãos Thomas e Daniel Connelly, juntamente com Thomas J. McTighe, patentearam o primeiro sistema em que um usuário podia controlar um mecanismo de comutação a distância.
Esquema do sistema de comutação automática de Connely e McTighe, mostrando acima o dispositivo principal localizado na central telefônica, e abaixo o sistema que deveria existir em cada telefone.
O aparelho se baseava nos telégrafos ABC de Wheatstone e era bastante primitivo, nunca tendo sido utilizado na prática. A parte principal do sistema era um tipo de roda dentada, semelhante aos dispositivos utilizados em relógios, que era movida por meio de um eletroímã e que só podia girar o espaço de um "dente" de cada vez. Cada vez que o eletroímã recebia um pulso de eletricidade, ele atraía uma barra metálica e esta fazia a roda dentada girar um espaço. À medida que a roda girava, ela ia movendo um braço metálico que entrava em contato sucessivamente com os contatos referentes às várias linhas telefônicas. Assim, enviando sucessivos pulsos elétricos, era possível escolher, a distância, a ligação desejada com um pequeno número de linhas.
Em 1884, Ezra Gilliland, da companhia Bell, desenvolveu um sistema de comutação automática que podia trabalhar com um máximo de 15 linhas. Nesse sistema primitivo, semelhante ao de Connelly e McTighe, porém um pouco mais simples, havia um contato metálico que se movia passo a passo, pulando de uma posição para outra, quando o usuário apertava um botão. O número de vezes que o botão era apertado determinava a conexão que era produzida. Esse sistema também não foi utilizado na prática.
O sistema automático Strowger
O avanço realmente importante ocorreu em 1889, quando um agente funerário da cidade de Kansas, chamado Almond B. Strowger, começou a desenvolver um sistema automático de comutação que realmente funcionou. Conta-se que Strowger desconfiava das telefonistas e acreditava que elas propositadamente desviavam os chamados de seus clientes para um outro agente funerário. Por isso, ele resolveu inventar um sistema de comutação que dispensasse o uso das telefonistas.
Almond Strowger
Após vários estudos e tentativas, Strowger conseguiu construir, com a ajuda de um relojoeiro, um sistema para 100 linhas telefônicas. O sistema foi patenteado em 1891 e, no mesmo ano, Strowger estabeleceu a Automatic Electric Company para comercializar seu invento.
A primeira central telefônica automática, utilizando o sistema de Strowger, foi aberta em La Porte, Indiana, em 1892. Nos dez primeiros anos após o invento de Strowger, foram instaladas mais de 70 centrais automáticas nos Estados Unidos.
O sistema de Strowger era um aperfeiçoamento dos aparelhos anteriores. Ele também tinha um dispositivo com um contato metálico principal, móvel, que se deslocava passo a passo, acionado por eletroímãs, "varrendo" diversos contatos fixos, cada um deles conectado a uma linha telefônica. Mas havia uma diferença importante: o sistema se movia dentro de um cilindro e podia tanto girar em torno do eixo do cilindro como também se mover para cima e para baixo. O cilindro tinha, em sua parte interna, 10 fileiras com 10 contatos metálicos cada uma, totalizando 100 contatos. A "vassoura" ou "escova" metálica central podia, assim, deslocar-se facilmente e escolher um dos 100 contatos, cada um dos quais representava uma linha telefônica.
O sistema Strowger de comutação automática: esquema (esquerda) e fotografia de um dispositivo de 1902 (direita).
O sistema de comutação automática desenvolvido por Strowger tem duas partes básicas. Uma é o dispositivo existente na própria central telefônica, que realiza as conexões entre as linhas telefônicas. A outra é um dispositivo colocado nos aparelhos dos usuários, que permite enviar sinais à central telefônica informando o número do telefone com o qual se quer fazer conexão.
Representação esquemática de um dispositivo de comutação com 100 linhas, cada uma delas ligada a um telefone. O dispositivo precisa conectar os fios do telefone que está chamando (à esquerda) com qualquer uma das conexões dos outros aparelhos.
Inicialmente, os usuários não dispunham de nenhum mecanismo especial para enviar os sinais à central. Eles tinham dois botões na caixa dos seus telefones e deviam apertar cada um deles um certo número de vezes. Por exemplo, para se conectar com o telefone número 34, era necessário apertar o primeiro botão 3 vezes e o segundo botão 4 vezes. Cada vez que um botão era apertado, ele enviava um pequeno pulso elétrico para a central e fazia o dispositivo se mover um passo. O sistema funcionava, portanto, da seguinte forma: quando uma pessoa queria telefonar, ela tirava o telefone do gancho (para se ligar com a central telefônica) e então apertava os botões do seu aparelho. Na central telefônica, o dispositivo ligado a este telefone ia se movendo, primeiro na direção vertical e depois girando, até fazer a ligação com o número desejado. Então, a pessoa girava a manivela do magneto para produzir um sinal na campainha do número chamado. Durante toda a conversa, o dispositivo Strowger mantinha-se na mesma posição, ligando as duas linhas. Quando a conversa terminava, era necessário apertar um botão que fazia o dispositivo Strowger da central telefônica voltar para a sua posição inicial. Se a pessoa não apertasse esse botão, seu telefone continuaria conectado à linha que havia sido chamada antes.
Com um dispositivo do tipo Strowger original, era possível escolher apenas uma das 100 linhas telefônicas. Seria possível construir cilindros com maior número de contatos, mas isso era complicado, sob o ponto de vista técnico.
Havia outros problemas com o sistema. Cada telefone precisava estar ligado à central telefônica através de vários fios: os fios que enviavam a voz e outros fios que enviavam os sinais elétricos para mover o dispositivo automático. Isso encarecia bastante o sistema porque, como vimos, o custo dos fios telefônicos era bastante alto. No caso do primeiro tipo de sistema, com botões, era necessário um fio para cada botão, aumentando, portanto, dois fios para uma rede de 99 telefones.
Um segundo problema era que cada telefone da rede precisava dispor do seu próprio dispositivo na central telefônica. Esses dispositivos eram caros e ficavam quase todo o tempo parados, pois cada usuário utilizava o telefone apenas durante uma pequena parte do dia.
Outro problema era que uma pessoa podia se conectar a um telefone que já estava sendo usado. Nas centrais com telefonistas isso não acontecia, porque a telefonista sempre verificava se a linha já estava ocupada. Nas primeiras centrais automáticas, não havia nada que impedisse uma pessoa de se ligar a uma linha ocupada, e nesse caso ela podia ouvir a conversa de outras pessoas ou intrometer-se na conversa.
Por fim, cada pessoa precisava se lembrar de apertar um último botão ao terminar a conversa, para fazer o dispositivo Strowger da central voltar à posição inicial, e muitos se esqueciam disso.
Aperfeiçoamentos do sistema Strowger
Strowger empregou algumas pessoas que ajudaram a aperfeiçoar o seu sistema automático. Em 1892 ele contratou Anthony E. Keith e, em 1894, Frank A. Lundquist e os irmãos John e Charles Erickson*. Foram essas pessoas, e não o próprio inventor, que aperfeiçoaram o sistema. Em 1896, Strowger teve problemas de saúde e se afastou da companhia que havia criado, morrendo em 1902.
(* Esses irmãos Erickson não possuem relação com o Ericsson da Suécia).
Keith resolveu em 1893 um problema simples: a pessoa que telefonava não precisava mais apertar um botão quando terminava a conversa. A própria colocação do telefone no gancho enviava um sinal à central telefônica, que fazia o dispositivo Strowger voltar à posição inicial. Além disso, em 1894, Keith, Lundquist e os irmãos Erickson eliminaram a possibilidade de uma pessoa se conectar a linhas já ocupadas.
Em 1896, Keith e os irmãos Erickson desenvolveram um processo que eliminava a necessidade de que os usuários ficassem apertando vários botões. Foi colocado no aparelho telefônico um sistema que enviava sequências de pulsos do aparelho do usuário para a central. Esses dispositivos empregavam discos que eram girados e que, ao voltarem para sua posição, iam fazendo essencialmente a mesma coisa que a pessoa fazia antes apertando o botão várias vezes. É exatamente por causa desses discos, utilizados durante quase um século, que até hoje utilizamos a expressão "discar um número", embora utilizemos telefones que não possuem mais discos, e sim teclas.
Aparelhos telefônicos com sistema de discagem de Stowger: modelo de 1899 (esquerda) e modelo de mesa, de 1905 (direita).
Aparelhos telefônicos com sistema de discagem de Stowger: modelo de 1899 disco externo (esquerda) e mecanismo interno correspondente (direita).
No sistema de discagem utilizado durante muitas décadas, o funcionamento sempre foi essencialmente o mesmo. A pessoa girava o disco até uma certa posição (um número) e largava. Então, uma mola fazia o disco voltar para a posição inicial e, ao mesmo tempo, um mecanismo atrás dele fazia uma sucessão de contatos elétricos, enviando uma série de clicks para a central telefônica. Esses sinais produziam o mesmo efeito que apertar o primeiro botão várias vezes. Depois, quando a pessoa novamente girava o disco e enviava novos sinais, o efeito produzido na central telefônica era o mesmo de apertar o segundo botão várias vezes. Esse sistema reduziu também o número de fios ligando cada aparelho à central telefônica.
No mesmo ano em que inventaram o sistema de discagem, Keith e os irmãos Erickson começaram a desenvolver um modo de utilizar o dispositivo de Strowger em uma rede com 1.000 linhas telefônicas. Em vez de construir um dispositivo maior, eles resolveram utilizar dois dispositivos. A ideia é simples: as linhas são divididas em "troncos", cada um com 100 linhas. Cada tronco pode, portanto, utilizar um dispositivo Strowger comum, com 100 posições. Utilizando dez dispositivos Strowger, é possível, portanto, fazer conexões com dez troncos de 100 linhas, atingindo assim 1.000 linhas.
Seletor de linha (1905) desenvolvido por Keith.
Nesse sistema, quando um usuário quer se conectar a uma das linhas, ele disca primeiramente um número, que corresponde à escolha do tronco; então, na central telefônica, um aparelho simples (um seletor com 10 posições) estabelece sua ligação com o tronco. Ao ser conectado a esse tronco, a sua linha é ligada a um segundo aparelho, do tipo Strowger, e os dois números seguintes enviados pelo usuário vão escolher a linha exata dentro do tronco.
Não há limites para o sistema, pois é possível formar dez grupos de dez troncos (um total de 10.000 linhas), por exemplo, introduzindo mais uma etapa da discagem.
Sistema automático (passo-a-passo) com varias etapas. Uj telefone é ligado, primeiramente, a um dispositivo que tem 10 opções. Cada uma dessas 100 ligações pode levar a um outro aparelho Strowger.
Uma central desse tipo (com dois estágios) foi instalada em 1897, para 400 linhas. Cada telefone tinha, na central, um seletor simples (de apenas quatro posições) e 4 dispositivos tipo Strowger (de 100 posições). Portanto, a central telefônica tinha, ao todo, 400 seletores simples e 1.600 dispositivos tipo Strowger. O sistema funcionou, mas era extremamente caro. Para redes com número ainda maior de linhas, o sistema se torna proibitivamente dispendioso. Para 800 linhas (o dobro), por exemplo, seria necessário um seletor simples de oito posições e oito dispositivos Strowger de 100 posições para cada linha telefônica. Multiplicando por 800, vemos que seriam necessários 800 seletores simples e 6.400 dispositivos tipo Strowger. Ou seja: para o dobro de linhas, o custo do sistema seria aproximadamente quatro vezes maior. Para um número dez vezes maior de linhas, o custo seria 100 vezes maior. Portanto, embora o sistema pudesse ser aumentado de forma ilimitada, seu custo aumentava tanto que o tornava inviável para redes grandes.
O sistema passo a passo
Esse tipo de problema foi resolvido por Frank Lundquist, que havia saído da companhia de Strowger em 1896 e desenvolvido um novo processo, que foi patenteado em 1897. A ideia consistia essencialmente em utilizar um menor número de dispositivos na central telefônica automática, levando em conta que, do modo como o sistema funcionava, quase todos os dispositivos ficavam a maior parte do tempo sem funcionar. Por exemplo: na rede descrita acima, com 400 linhas, havia 1.600 dispositivos Strowger, mas apenas 200 deles, no máximo, seriam utilizados ao mesmo tempo. Na prática, como apenas cerca de 10% dos telefones eram utilizados ao mesmo tempo, o número de dispositivos realmente utilizados a cada momento era ainda menor. Portanto, devia haver um modo de, em vez de ter um conjunto de dispositivos Strowger para cada linha telefônica, utilizar um número menor, partilhado por todos.
Como fazer isso? Lundquist imaginou que bastaria introduzir um novo seletor, que procurasse um dispositivo desocupado para usar. Vamos imaginar, primeiramente, uma rede com apenas 100 linhas, que exigia (pelo sistema antigo) 100 dispositivos tipo Strowger. Podemos agora construir uma central telefônica que tenha apenas dez desses dispositivos. Cada um deles serve para fazer conexões com todas as 100 linhas, mas eles não "pertencem" a nenhum assinante em particular. Eles ficam disponíveis, esperando que alguém precise deles. Para que possam ser partilhados, é necessário haver um pré-seletor, ou seletor de dispositivo desocupado. Cada linha telefônica, ao chegar na central, é ligada a um pré-seletor desse tipo. No exemplo que estamos considerando, esse pré-seletor tem dez posições diferentes, podendo ser ligado a cada um dos dez dispositivos Strowger. Quando uma pessoa quer fazer uma ligação e tira o telefone do gancho, esse pré-seletor é colocado em movimento na central e vai girando de posição em posição e testando, até encontrar um dispositivo Strowger desocupado. Então, um som especial é ouvido pela pessoa que está querendo fazer a ligação e ela pode discar o número desejado, enviando os sinais elétricos para o seletor Strowger que foi selecionado. Quando termina a ligação, esse dispositivo Strowger fica desocupado e pode ser utilizado por outra pessoa.
Manutenção de antigos dispositivos de sistema automáticos passo-a-passo
Uma central telefônica inglesa do início do séc XX, que utiliza o sistema passo-a-passo.
Esse novo tipo de sistema, embora introduza uma etapa a mais, utiliza um menor número de dispositivos seletores e, por isso, é muito mais barato.
Assim, o sistema de ligação de uma linha a outra linha telefônica utiliza uma sequência de etapas, passando por vários dispositivos encadeados. Esse sistema é chamado "passo a passo".
O mesmo princípio pode ser utilizado para uma rede com maior número de telefones. Consideremos uma rede com 1.000 linhas, por exemplo, divididas em dez troncos de 100 linhas. No sistema anterior, cada assinante tinha à sua disposição, na central telefônica, um seletor de troncos (com dez posições) e dez dispositivos Strowger (com 100 posições), com um total de 1.000 seletores de tronco e 10.000 dispositivos Strowger. No novo sistema, bastam 100 dispositivos Strowger, partilhados entre todos. O sistema funciona assim: cada linha telefônica, ao chegar à central, é ligada a um pré-seletor de dez posições, que procura um seletor de troncos que esteja desocupado. Assim, em vez de 1.000 seletores de tronco na central telefônica, há apenas 100, partilhados pelos 1.000 usuários. Quando o pré-seletor encontra um seletor de tronco livre, a pessoa ouve um sinal e então começa a discar o número desejado. A primeira sequência de pulsos elétricos vai mover o seletor de tronco para a posição desejada. No sistema antigo, isso ligaria o seletor diretamente com um dispositivo Strowger com 100 posições. No novo sistema, o seletor é ligado a um segundo pré-seletor de dez posições, que vai procurar um dispositivo Strowger livre, daquele tronco. Em vez de 100 dispositivos Strowger para cada tronco, podem ser utilizados apenas dez.
Assim, o sistema completo para 1.000 linhas teria: 1.000 pré-seletores iniciais de tronco livre; 100 seletores de tronco; 100 pré-seletores de dispositivo Strowger livre; e dez dispositivos Strowger para cada tronco, com um total de 100 dispositivos Strowger para toda a rede.
No caso de centrais telefônicas com um número maior de linhas, o sistema é um pouco mais complicado, exigindo outras etapas. Para 10.000 linhas, por exemplo, são necessários 100 troncos de 100 linhas. Na central telefônica, cada linha pode estar ligada a um pré-seletor de dez posições, que procura um primeiro dispositivo tipo Strowger (de 100 posições) desocupado. A pessoa disca os dois primeiros números e esse primeiro dispositivo Strowger seleciona o tronco desejado. Então, nesse tronco, um segundo pré-seletor (de dez posições) procura um segundo dispositivo Strowger desocupado, e os dois últimos números discados pela pessoa movem esse dispositivo, completando a ligação.
Esses sistemas passo a passo mais desenvolvidos foram exibidos pela primeira vez em 1899 e adotados pouco depois na França e na Alemanha. Keith e os irmãos Erickson, utilizando o sistema inventado por Lundquist, construíram centrais telefônicas para grande número de linhas, a partir de 1900. Uma central para 4.000 linhas foi instalada em New Bedford (estado de Massachusetts) e depois em outros locais (principalmente fora dos Estados Unidos).
Esse sistema foi aperfeiçoado e adotado no mundo todo até 1926, quando foi introduzido o sistema crossbar na Suécia. O serviço de comutação automática se expandiu mais fortemente na Europa (especialmente na França), na primeira década do século XX. Na década de 1910, as centrais automáticas se espalharam nos Estados Unidos, mas apenas entre os sistemas telefônicos "independentes" (isto é, os que não pertenciam ao sistema Bell). A Bell passou a utilizar, no início do século XX, algumas pequenas centrais automáticas em vilas e regiões rurais em que era difícil treinar e empregar telefonistas, mas apenas na década de 1910 começou a se preocupar com a necessidade de centrais automáticas exigidas por grandes cidades.
Somente na década de 1920 a própria Bell adotou o sistema automático, utilizando telefones com discos, que passou a ser chamado de "sistema francês", embora tivesse sido inventado nos Estados Unidos. A substituição das centrais manuais foi lenta: até 1936, 52% das centrais dos Estados Unidos utilizavam telefonistas.
Vantagens e desvantagens do sistema automático
Como as pessoas estavam acostumadas às centrais manuais, houve uma resistência para mudar. O sistema de discagem às vezes falhava e fazia uma conexão com o número errado. Era também considerado mais lento do que o serviço das telefonistas.
As centrais telefônicas manuais tinham diversas vantagens sobre as automáticas. As telefonistas prestavam vários tipos de serviços, fornecendo informações sobre horário, clima, sobre pessoas e empresas, e às vezes informações sobre atividades culturais (teatro, música, etc.). As telefonistas eram tão gentis que muitas pessoas ligavam para a central apenas para conversar com elas.
Inicialmente, as pessoas simplesmente perguntavam às telefonistas que horas eram, elas olhavam para seus relógios (ou relógios existentes na sala de comutação) e respondiam. Como esse tipo de pergunta era muito frequente, acabou sendo criado um número especial de telefone para responder a essa demanda. Nesse número, que podia ser acessado simultaneamente por muitos assinantes, uma pessoa ficava olhando para um relógio e dizendo as horas, "ao vivo". Somente depois da Segunda Guerra Mundial foram criados sistemas automáticos para informar as horas, nos Estados Unidos. O custo (e manutenção) das centrais automáticas era muito alto, e as centrais manuais, apesar de exigirem a contratação de telefonistas, podiam oferecer vantagens em relação ao custo total. As centrais manuais ofereciam também a vantagem social de criar um grande número de empregos. Em 1907, o sistema Bell empregava 50.000 mulheres e 42.000 homens. A maioria das mulheres trabalhava como telefonistas, enquanto os homens desempenhavam trabalhos técnicos (instalação e manutenção de linhas e equipamentos) e administrativos.
O principal problema do serviço das telefonistas era que não havia privacidade (as telefonistas sabiam quem telefonava para quem e podiam escutar as conversas). Além disso, o serviço manual tornava-se inviável quando havia dezenas de milhares de linhas conectadas a uma única central.
Bibliografia
MARTINS, ROBERTO. A Fundamentação da Telefonia através da História. Parte 1: Da Invenção ao Início do Século XX. Pesquisa realizada para a Fundação Telefônica, 2002.
Telefone Celular
A forma mais comum de ligar o usuário à central telefônica em todo o mundo, até há bem pouco tempo, era através do fio metálico, porém existem outras formas.
Já faz algum tempo que o sistema de rádio é usado pelas companhias telefônicas para interligar assinantes que estejam muito distantes das centrais ou em locais de difícil acesso. Assim como recebemos sinais de TV e rádio, recebemos também sinais de voz em frequência, ao invés de usar o fio metálico, permitindo que estes sinais sejam enviados e recebidos de automóveis e pessoas em movimento.
A comunicação móvel é usada há muito tempo, porém com sistemas de baixa qualidade, devido à tecnologia existente até então. Com sérias limitações em função da ocupação do espectro de frequências, a comunicação móvel não suportava grande quantidade de ligações, devido a interferências. Mas com a evolução tecnológica e o crescimento da procura por esse tipo de serviço, desenvolveu-se a Telefonia Móvel Celular.
O sistema celular é uma tecnologia aplicada para conseguir melhores resultados no emprego das frequências de rádio disponíveis, ou seja, aquelas que não são usadas pelo rádio ou pela TV. As frequências são reutilizadas em distâncias relativamente curtas, como, por exemplo, dentro de uma mesma região metropolitana.
A reutilização de frequências funciona da seguinte forma: uma determinada área de atendimento é dividida em células de formato hexagonal - com seis lados - que possuem, cada uma delas, um conjunto de frequências diferentes da área vizinha. Assim, as células próximas podem usar uma mesma frequência sem que haja interferência. Uma vez estabelecida a ligação, o usuário pode se deslocar para qualquer ponto e a mudança de uma célula para outra será automática.
Composição do sistema
Além do terminal móvel conhecido como telefone celular, existe também a Estação Rádio Base (ERB), responsável por mandar e receber sinais que vêm destes terminais. Cada célula possui uma ERB que se interliga a uma Central de Comutação e Controle (CCC). Essa central determina os canais de comunicação do Sistema Móvel que serão interligados com o sistema de Telefonia Pública, geralmente por meio de troncos convencionais que supervisionam e controlam todas as chamadas para dentro ou para fora do Sistema.
Telefonia celular no mundo e no Brasil
Apesar de a comunicação móvel ser conhecida desde o início do século XX, somente em 1947 passou a ser desenvolvida pelo Laboratório Bell, nos EUA. No final da década de 1970 e início de 80, o Japão e a Suécia ativaram seus serviços com tecnologia própria e em 1983 a companhia americana AT&T criou uma tecnologia específica, implantada pela primeira vez em Chicago. A partir daí, a telefonia celular ganhou visibilidade e passou a ser adotada na década de 80 por quase todos os países. Com a incrível expansão do mercado, surgiu a segunda geração dessa tecnologia, a telefonia celular digital.
Brasília – início da década de 1970
Implantado um serviço anterior à tecnologia celular, contando com 150 terminais.
Em 1984 teve início a análise de sistemas de tecnologia celular no Brasil, que escolheu para funcionar no país o sistema analógico AMPS - padrão americano. O mesmo aconteceu em todos os outros países do continente americano, em alguns da Ásia e na Austrália.
As primeiras cidades brasileiras a usar o serviço foram:
Bahia
O Serviço Móvel Celular foi inaugurado oficialmente em 20 de julho de 1993, mesma data da III Conferência Ibero-Americana de Chefes de Estado (Cumbre). A primeira ERB foi ativada três meses antes, para atender à III Cumbre, na Central Telefônica do Itaigara, onde hoje funciona uma das dependências da Telemar S.A..
Rio Grande do Sul
A telefonia móvel chegou ao Rio Grande do Sul em 18 de dezembro de 1992, funcionando apenas em Porto Alegre, Guaíba, Eldorado do Sul, Gravataí e Litoral Norte do estado, com uma capacidade inicial de 4 mil assinantes. Em 1993, a capacidade foi ampliada para 20 mil assinantes.
São Paulo
Considerado o último dos grandes mercados de serviço móvel celular do mundo, teve sua inauguração no dia 6 de agosto de 1993, numa área de concessão que envolveu 620 municípios - 64 na região metropolitana e 556 no interior.
No começo, os aparelhos de telefone pesavam quase meio quilo e os assinantes tinham que pagar 20 mil dólares para entrar no sistema, seja com os aparelhos de telefone para automóveis, que ficavam fixos nos carros, ou com aqueles que podiam ser carregados.
Em 1997, com a liberação da Banda B para as empresas privadas, o sistema aumentou sua área de abrangência e, consequentemente, o número de aparelhos de telefone que servia.
A partir do dia 31 de janeiro de 1998, o serviço celular passou a ser operado pela Telesp Celular S.A., na Banda A.
No dia 29 de julho de 1998, com a maior privatização de todos os tempos, um consórcio formado pela Telefónica Internacional, a Iberdrola e a NTT Itochu comprou a Tele Sudeste Celular Participações, holding que controlava a Telerj Celular (Rio de Janeiro) e a Telest Celular (Espírito Santo). O serviço digital CDMA da Telebahia Celular foi lançado no dia 16 de janeiro de 1998, porém já vinha sendo usado na empresa como projeto-piloto da NEC, desde abril de 1997. As primeiras experiências operavam com sete ERBs, espalhadas estrategicamente pela região metropolitana de Salvador.
A Telebahia Celular não somente foi pioneira no lançamento da tecnologia CDMA - sigla em inglês para Acesso Múltiplo por Divisão de Código - como também a primeira a oferecer o serviço de "Caixa de Mensagem" gratuitamente para seus clientes.
A Telesp Celular lançou em 28 de junho de 2000 o serviço WAAAP , sendo a primeira operadora no estado de São Paulo a oferecer o serviço de internet no celular - Internet de Bolso.
Em janeiro de 2001, com a liberação das Bandas C, D e E, o sistema aumentou ainda mais, tanto no que diz respeito às áreas de abrangência quanto ao número de aparelhos móveis.
O mercado brasileiro vem crescendo muito nos últimos anos. Em 2009 já existiam mais de 150 milhões de celulares em funcionamento, o que significa uma densidade de aproximadamente 78 aparelhos/100 habitantes.
Desde o final de 2007 as operadoras de telefonia móvel do Brasil passaram a disponibilizar também redes para o uso da tecnologia 3G, a terceira geração da telefonia celular, através do uso de frequências específicas.
Esta tecnologia permite altas taxas de transmissão de dados, que, na prática, tornam possíveis o acesso móvel à internet em banda larga, permitindo a utilização de novos tipos de serviços a partir do telefone celular, como troca de arquivos e downloads, acesso a e-mail, videoconferências, GPS, TV móvel, etc..
Segundo dados da Anatel, esta nova tecnologia está avançando rapidamente no Brasil. Em dezembro de 2008 já existiam mais de 2,8 milhões de celulares 3G no país, com cobertura em mais de 420 municípios.
Bibliografia
Revista TELEBRÁS. Ano XIII, nº 46, p. 38 a 43. Brasília, dez. 1989.
Jornal A Gazeta Mercantil. São Paulo, 11 dez. 2000.
Site Televip.
www.televip.net. 30 nov. 2000.
Site Telecell Celulares.
www.telecelltelecom.com.br/celulares.html.
Site Teleco – Conhecimento em Telecomunicações.
www.teleco.com.br.